Análise – Grow Home

ASCENDENDO AOS CÉUS

À sua própria maneira, Grow Home é uma agradável e inesperada surpresa. Sua direção de arte charmosa, sua premissa peculiar e seu protagonista desajeitado são apenas alguns dos seus melhores atrativos. Trata-se de um jogo sobre escalar, saltar e explorar num planeta deserto em busca de uma fonte de vida vegetal chamada Star Plant. E mesmo entre alguns solavancos, Grow Home consegue proporcionar uma experiência satisfatória para quem quer sair um pouco da mesmice.

Anunciado apenas duas semanas antes de seu próprio lançamento, sem nenhum alarde em campanhas de marketing (pelas quais a Ubisoft foi bastante comentada e, inclusive, duramente criticada no ano passado), Grow Home era apenas um experimento, uma ferramenta para explorar animações procedurais (geradas por código, baseadas em simulações de física, etc.) que acabou se tornando uma brincadeira interna e foi tomando forma, conforme seus produtores foram notando uma personalidade única no que estavam criando.

E assim, inspirados em “O Guia do Mochileiro das Galáxias” e “Wall-e”, o pequeno grupo de oito pessoas na Ubisoft Reflections (que tem primariamente um foco em jogos de corrida e relacionados na Ubisoft) criou o jogo que seria apenas divulgado internamente entre os funcionários da empresa. Contudo, a coisa se espalhou, chegando até os ‘andares mais altos’, fazendo com que decidissem, depois de uma polida aqui e ali, lançar o jogo oficialmente.

Em Grow Home você controla um Droid de Utilidade Botânica -B.U.D. em inglês, que é lançado de sua nave após finalmente encontrarem um planeta de ecossistema sustentável que possuía a planta que buscavam há quase 1000 dias em expedição: a Star Plant. Ao aterrissar na superfície do planeta, B.U.D. precisa fazer com que a Star Plant floresça. Para isso, ele deverá usar suas habilidades de escalada e também precisará coletar cristais que servem como combustível para recuperar suas outras capacidades. A fim de fazer a Star Plant crescer, ele precisa guiar os seus ramos até fontes de energia, subindo cada vez mais alto e mais próximo de sua nave.

O jogo recomenda que você jogue com um Joystick, pois os gatilhos facilitam nas escaladas, mecânica predominante no jogo. Cada lado controla um dos braços, que podem escalar e mover objetos. Caso você jogue usando Mouse/Teclado, os botões direito e esquedo do mouse tomarão essa função. Contudo, como a movimentação do protagonista se dá por animações procedurais, tudo é um pouco desajeitado e molenga, além da física atrapalhar (ou ajudar) um pouco. Esse é um dos grandes charmes do jogo, mas pode ser também a maior frustração quando a câmera não colabora. E ela pode não colaborar algumas vezes (em especial em ambientes fechados). Escalar costuma demorar, e cair por culpa da câmera pode irritar bastante. Mas fora isso, a experiência é bem prazerosa, ressonando um senso de descoberta e simplicidade ímpares.

Não há muito o que se fazer no jogo. Você passará a maior parte do seu tempo coletando cristais a fim de aprimorar as capacidades de seu B.U.D.(que incluem controlar o zoom da câmera e um boost após o salto como uma mochila à jato) e escalando a Star Plant e suas ramificações. E caindo. Caindo bastante. Mas há uma flor para ampara suas quedas, e mais pra frente uma folha que você pode usar para planar. É interessante que, como a física rege o movimento de seu avatar, conforme a altura de onde você cair, sua velocidade aumentará, correndo o risco de seu robô se espatifar e virar sucata, precisando de um substituto. Mas você também pode usá-la a seu favor, saltando continuamente para ganhar velocidade, por exemplo.

Como um todo, Grow Home agrada e diverte, desde que você não busque nada complexo ou profundo. Afinal, essa não é sua premissa. Talvez justamente esse seu descompromisso e modéstia seja o que o torna tão adorável. E chegar de volta ao interior de sua nave proporciona um gostinho de ‘quero mais’, ao imaginar as proporções da expedição de B.U.D.. Apesar de o fator replay do jogo ser praticamente inexistente, Grow Home é um lugar para onde eu gostaria de retornar em futuros experimentos e brincadeiras da Ubisoft. E depois de Child of Light e Valiant Hearts, eu creio que irei.

 Avaliação Final

8,2 – Ótimo

Grow Home é simples, descompromissado e cativante. Uma ótima pedida para quem gosta de aventuras e descobertas e quer respirar um pouco de ar fresco.

🙂 Direção de Arte e personagem carismática

🙂 Experiência simples e única, boa para distrair

😦 Câmera pode atrapalhar as escaladas

😦 Cair e ter que subir tudo novamente pode ser frustrante

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