Especial – Life is Strange (parte 1/3)

Life is Strange é um jogo sensacional em vários aspectos. Por isso, esse será um artigo opinativo diferente, tentando mostrar por que, na minha opinião, esse jogo é tão fantástico e tentando fazer jus às suas qualidades que costumam passar despercebidas a olhos menos atentos (ou que simplesmente não estejam olhando para o lugar certo) . Ele será dividido em três partes, sendo a segunda sobre questões que vão além do jogo e a terceira, um mergulho mais profundo em seus significados. Por ora, nos atentaremos à sua superfície procurando não diminuir a experiência de quem ainda não jogou com spoilers indesejados).


Profundo

Life is Strange é bonito, especial e completamente comovente. De muitas maneiras, ele toma convenções já conhecidas de outros jogos mas sob uma perspectiva diferente, além de adicionar elementos novos com uma maturidade e equilíbrio deslumbrantes, por mais que alguns detalhes técnicos possam tentar desvalorizar sua execução. Trata-se de um jogo sobre nostalgia, escolhas, momentos e, surpreendentemente, a vida real, com a adição de um pequeno detalhe: o poder de voltar no tempo.

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À primeira vista, Life is Strange chama a atenção por sua apresentação sensível: modelos de personagens que não procuram ser realistas, com texturas pintadas à mão num estilo impressionista, um pôr do Sol alaranjado quase sempre presente, entrando por toda e qualquer fresta, e apesar das expressões faciais e lip-sync causarem desconforto em muitas pessoas, bons apreciadores podem facilmente ignorar esse detalhe se focando na emoção transmitida pela composição como um todo (que fique claro ao leitor que nada disso se deve à incompetência técnica do estúdio, mas de uma escolha deliberada. O que o jogo tem em falta no realismo ele compensa na direção artística. Mais sobre isso na parte 2).

Numa combinação de influências em The Walking Dead da Telltale, Gone Home e Heavy Rain (estas declaradas pelos próprios criadores do jogo como a “Triforce das influências”), Life is Strange coloca o jogador na pele de Max, uma garota tímida e solitária que acabou de completar 18 anos e se mudou de volta para Arcadia Bay, Oregon, sua pacata cidade natal, após 5 anos longe morando com seus pais em Seattle. O motivo da mudança é ter sido aceita na Blackwell Academy, a faculdade com um dos melhores programas para quem quer estudar fotografia, a paixão de Max desde pequena. Contudo, é no meio da aula de Mark Jefferson, famoso fotógrafo e ídolo de Max, que ela tem uma visão misteriosa e, após uma sucessão de eventos, descobre possuir o poder de voltar no tempo, mesmo que apenas por por curtos períodos.

Jogadores familiarizados com os jogos citados anteriormente se sentirão em casa jogando Life is Strange. O jogo possui forte ênfase narrativa e suas mecânicas são reservadas à interagir e investigar objetos, conversar com pessoas e fazer escolhas que possuirão (ou não) consequências no futuro, mudando o rumo do jogo. Contudo, é na mecânica de viagem no tempo que Life is Strange traz um novo ar: o jogador tem a possibilidade de voltar atrás em suas escolhas e ações mais recentes, sabendo quais são os possíveis resultados imediatos e escolhendo o que mais lhe agrada (o fato aqui é que não existe uma escolha “certa” ou “errada”, “melhor” ou “pior”. Tudo depende da visão de mundo do jogador). Ao realizar alguma ação ou escolha, o jogador pode facilmente voltar atrás e desfazer os fatos recentes. Vale acrescentar aqui que é incrível ver todas as animações e falas “rebobinando”  à efeitos fotográficos como dupla exposição, leaks e burns e, então, tocando novamente.

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Contudo, como toda boa viagem no tempo, existem regras. As duas principais são: ao voltar no tempo, Max retém todo conhecimento que adquiriu, podendo, por exemplo, voltar no tempo durante a aula e acertar uma pergunta que outrora ela havia errado. A segunda é que qualquer objeto que Max tenha obtido será mantido com ela ao voltar no tempo, o que adiciona um nível interessante a puzzles durante o jogo. Uma outra regra é que a partir do momento em que Max segue em frente após ter feito uma escolha importante (mudando de área, por exemplo) ela não pode mais voltar atrás. O poder funciona apenas para fatos que ocorreram naquele instante. Isso significa que o jogador pode saber o resultado imediato de suas escolhas e ações, mas nunca o que isso causará no futuro, seja neste episódio ou nos próximos.

Não obstante, toda essa beleza e interatividade acontece debaixo de uma trilha (principalmente) Folk que torna a imersão e a aceitação sobre a personalidade de cada personagem ainda mais profunda. Numa combinação de um score original e exclusivo do jogo e músicas licenciadas, Life is Strange nos leva a uma viagem de nostalgia e sentimento raramente vista no mundo dos jogos. Por mais simples que possa parecer, colocar os fones de ouvido silenciando o mundo ao redor e passar pelo meio do corredor da universidade entre armários, líderes de torcidas, nerds e valentões ao som de To All of You, além de assistir à montagem final do primeiro episódio imaginando o destino que aguarda cada uma das pessoas que você conheceu ao som de Obstacles (ambas de autoria da banda francesa Syd Matters) foram algumas das passagens mais poderosas pra mim num videogame, principalmente por sua simplicidade, familiaridade e por até então poucos terem se preocupado em transmitir experiências tão “comuns” em relação às coisas fantásticas que costumamos jogar. O que num filme seria “só mais um”, num jogo tudo parece novo.

[LEVES SPOILERS]

Life is Strange é além de uma experiência interessante e emocionante. Ele é um jogo importante que precisa existir. As expressões faciais e lip-sync são de fato um problema, mas nada que possa depreciar demais o jogo como um todo. O primeiro episódio possui os pés no chão (de uma maneira até surpreendente), não tendo medo em se focar apenas em apresentar as personagens e tramas principais e secundárias, e ainda assim mantendo tudo num nível bastante aceitável, empolgando para o que ainda há de vir. Se você é aberto para experiências diferentes, gosta de jogos com foco em narrativa e/ou busca algo emocionante, não deixe de dar uma chance a este jogo. Se você não se encaixa em nenhum destes perfis, dê uma chance mesmo assim.

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Caso essa análise tenha parecido superficial demais e você ainda não esteja convencido recomendo que leia a parte dois deste especial. Mas caso queira dar um voto de confiança, compre ao menos o primeiro episódio e volte aqui para continuar lendo depois. É importante que esse jogo seja bem sucedido, e você entenderá o por quê na análise seguinte.

Valeu!

Avaliação Final

Apresentação visual – 8,0 | Gameplay – 8,5 | Som – 9,0  | Experiência – 9,5

🙂 Experiência única e emocionante 🙂 Trilha e ambientação ótimas

😦 Lip-sync e expressões faciais ruins 😦 Algumas falas soam forçadas demais

8,75 – Ótimo

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